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Pérolas do Orkut na rede
Ter uma página na web não é somente interatividade. O programador Igor Pucci, 24 anos, de Araçatuba, interior de São Paulo, em uma coletiva no Unitoledo para os alunos de jornalismo, contou como abriu o site www.perolasdoorkut.com.br, que reúne as mais diversificadas e divertidas fotos do Orkut, um site de relacionamento. Através dessa idéia que começou em Julho de 2007, conseguiu não só milhares de acesso, mas se manter financeiramente.
Pucci se formou em Ciência da Computação e programou sites para empresas da região, mas quando se viu tomado pelo Pérolas do Orkut, largou o trabalho para dedicar mais tempo na web. Investiu no layout e buscou as mais variadas fotos. No começo era somente uma diversão para mostrar aos amigos, mas os acessos que passavam de mil por dia fizeram com que o site se sobrecarregasse e saísse do ar. Desta forma ele renovou formato e o conteúdo, e teve sucesso garantido. Hoje os acessos passam de 6 mil por dia.
Frequentemente são feitas atualizações, Pucci conta com duas colaboradoras para ler os e-mails e abrir as fotos enviadas de diversas localidades. Conteúdos como pornografia e comentários preconceituosos são censurados. “O site não é visto como preconceituoso, tive o intuito de desvincular o nome “pérolas” da idéia do ridículo”, diz. Além dos cuidados com a preservação da imagem das pessoas, antes de iniciar este trabalho, consultou um advogado para usar o site de forma legal, sem violar os direitos das pessoas. “Todo mundo gosta”, salienta.
Igor Pucci é pos-graduando
Foto - Thiago Bogo
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos tem sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irresponsavelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tinha tido paciência para tomar banho.
Eu, que tantas vezes tinha sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes de etiquetas;
Que tinha sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda,
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que me confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmão,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Fernando Pessoa